Esclarecendo o 4-2-3-1

Segundo Jonathan Wilson, a gênese do 4-2-3-1 está em algum lugar entre as Eurocopas de 1996 e 2000. Este sistema tático nasceu da simples variação do 4-4-2 em duas linhas, a partir de dois meias defensivos – o ‘doble pivote’, dois wingers muito adiantados, e um segundo atacante que recuava centralizado para receber o segundo passe.

A essência do 4-2-3-1. Saindo do 4-4-2 em duas linhas.
Alguns clubes aderiram ao 4-2-3-1, pós Copa da África. Botafogo, Corinthians, Grêmio, Internacional, Vasco... São alguns exemplos de clubes brasileiros.

Ocupação de espaços abertos na região central da intermediária ofensiva. Recuar um atacante para puxar um zagueiro, ou então para indefinir a marcação dos volantes, parece ter sido uma constatação plural na Europa. Ou seja, um natural processo da evolução tática no futebol.

Este esquema depende muito do apoio dos laterais aos extremos. Um exemplo de 4-2-3-1 mal executado é a seleção brasileira da Mano Menezes. Os laterais pouco apóiam lembrando os laterais dos anos 50, porém existiam PONTAS que jogavam colados na linha lateral, com intuito de cruzar, o esquema era o 4-2-4.

Brasil no 4-2-3-1. Eliminado na Copa América.
Um fato interessante da Copa de 1958 mostra um indicio de evolução tática, sem a mão do treinador:

“Nilton Santos na partida contra a Áustria no Mundial de 1958. A Seleção Brasileira já vencia por 1 a 0 quando no começo do segundo tempo o lateral-esquerdo decidiu aproveitar o espaço no flanco canhoto para apoiar o ataque. “Volta, Nilton!”gritou do banco o técnico Vicente Feola. Mas Nilton não deu ouvidos e continuou a avançar. “Volta, Nilton” repetiu a ordem, novamente ignorada. Eis que Nilton chuta da entrada da área e marca o segundo gol brasileiro. “Boa, Nilton”, murmurou o treinador”.

Zagallo conta sobre o fato de 1958:       

“Zagallo Afirma que quando Nilton Santos avançou, e Feolla começou a gritar com ele, o Formiguinha (Zagallo) falou pra Enciclopédia (Nilton Santoa), (como costumavam já fazer no Botafogo): "vai que eu faço a tua" - isto é, o atacante defenderia e o defensor atacaria -, daí Nilton teve a certeza de ir”.

Posições e funções:


Dois Zagueiros: Variam muito o estilo dos zagueiros. Geralmente o zagueiro mais lento marca de perto o atacante e o zagueiro mais rápido fica na sobra. Romário define o estilo de sobra: “Quando o zagueiro da sobra ficava ao lado era um abraço”. Exemplos: Rodrigo Moledo (raído na recuperação), Dedé (rápido na recuperação), Índio (lento, porém de boa imposição física e posicionamento).

Dois laterais: Que dependem de como os extremos irão jogar. Apóiam se os extremos abrirem espaço no flanco, infiltrando e lateral passando. Do contrario o lateral não apóia e guarda posição. Exemplos: Mario (faz basculação), Julio César, Kléber, Nei, Cortês.

Dois volantes: Alinhados. Dependem da função dos laterais. Ou apóiam ou cobrem apoio de laterais. Não necessariamente precisa ser o volantão que apenas marca, no futebol moderson é essencial saber jogar com bola no pé. Exemplos: Rochemback, Renato, Bolatti, Guiñazu.

Um meia central: Pode ser um numero 10, o organizador no Brasil ( Trequartista na Itália e Enganche na Argentina). Ou ainda pode ser um atacante recuado que tem como intuito se aproximar do centroavante, e arriscando chutes de longa distancia e jogadas individuais. Exemplos: D’Alessandro, Douglas, Elkeson, Ganso.

Dois extremos (wingers): Na essência deste esquema eram atacantes de velocidade e vitoria pessoal, ingressavam na área abrindo corredor para laterais. Nos dias de hoje, são meio campistas que pouco infiltram na área e ocupam mesmo espaço do lateral. Exemplos: Willian, Marquinhos, Andrezinho, Jorge Henrique.

Obs: Os extremos dependem da função dada. O extremo não é um ponta e sim um atacante recuado que joga no meio campo, partindo do flanco para o centro e fundo do campo.

Centroavante: Ao contrario da regra. O homem de referencia depende de qualidade técnica, pois com apenas um homem na área não á o porquê de cruzar na área. Suas principais jogadas são de pivô, recuar para retenção de bola, e tabelas na entrada da área. Exemplos: Damião, Brandão, André Lima.

Cada posição tem função distinta. Um lateral pode ser base ou forte no apoio. Pode se ter dois volantes do estilo “cabeças de bagre”, ou com qualidade na saída de bola e adiantando para ser opção de passe. Três homens de meio campo com formação de meias ou atacantes pelos flancos e um organizador central. O esquema depende muito do homem de referencia que precisa ter qualidade.

Estratégia é ter posse de bola, isto explica os cinco homens na faixa do meio campo. Marcação dos wingers sobre os laterais é essencial, pois assim complica saída de bola do adversário. De nada adianta ter cinco homens no meio campo se três tem apenas vocação ofensiva, contando ainda com o centroavante que pouco ou nada marca.


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