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O FALSO NOVE


Post de Diogo Ribeiro Martins do blog Soccer Tactics

No futebol, o termo falso nove é utilizado em certos sistemas táticos em que em um esquema com pontas (4-3-3 ou 4-2-3-1) em que o atacante centralizado não é de fato uma referência, um centroavante que saiba se posicionar para receber as bolas, geralmente, o falso nove é um meia improvisado ou um atacante veloz com características de drible, finalização, armação e velocidade, como por exemplo Neymar agora na Seleção Brasileira e Messi no Barcelona e na Seleção Argentina, aliás, o atual tri-melhor jogador do mundo jogou nessa função contra o Uruguai ontem (Sexta feira - 12/10/12) pelas Eliminatórias Sul-Americanas da Copa do Mundo de 2014.

No caso de Messi e Neymar como falso nove, os dois acabam tendo a liberdade precisa para poder jogar, recuando para armar o jogo e avançando armando ataques e contra-ataques, o falso nove também acaba recuando para permitir o avanço em diagonal dos pontas para a área e finalizar pro gol, e assim, abrir o corredor pros laterais avançarem para cruzarem pro gol.

Outro time que também utilizou o falso nove com essa função foi o Corinthians campeão da Taça Libertadores da América de 2012 - em grande parte da competição, é claro - com a má fase do até então camisa 9 Liédson, Tite resolveu escalar o meia-armador Alex como falso nove para não se desfazer do seu esquema preferido, o 4-2-3-1, tendo assim a função de recuar para armar e permitir o avanço dos pontas, geralmente eram Emerson Sheik (William) e Jorge Henrique (ou Danilo) e o próprio Danilo centralizado também ajudando o falso nove do time a armar as jogadas ofensivas, e Paulinho acabava se tornando o homem de área do Corinthians aparecendo como elemento surpresa em varios gols.

Essa é uma função que vem revolucionando o futebol, tanto que até a Espanha vem utilizando ela com Cesc Fábregas, e espero que mais times e seleções passem a utilizá-la





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Mano opta por 4-2-3-1 sem 9 de origem

Treino de luxo. Mas não muda o objetivo: convencer. Diante do fraco Iraque, a seleção de Mano Menezes não perdoou a seleção treinada por Zico. Patrolou e não tomou informações do adversário. Um sonoro 6x0.

Os holofotes estavam sob Kaká. Esta é a volta de um dos queridinhos do Brasil. Seu ultimo jogo foi à amarga derrota contra a Holanda na Copa do Mundo de 2010. Se na Copa Kaká foi referencial técnico, centralizado, de um 4-2-3-1 torto e repleto de compensações, na atual seleção de Mano, Kaká deve ser a experiência em campo no mesmo 4-2-3-1, porém, jogando pelo lado e com jovens companheiros.A filosofia imposta por Dunga é o extremo do que Mano Menezes prega. O sistema é o mesmo, mas as estratégias de jogo retratam oceanos de diferença.


Tratando de esquemas adotados, Mano esta indeciso entre 4-4-2 em duas linhas e 4-2-3-1, o criador e criatura. Ressalto que, 4-2-3-1, criatura, surgiu do 4-4-2 em duas linhas, criador, quando, extremos (winger, ponta, meia-ala...) avançaram e um dos atacantes recuou.
No caso do Brasil os extremos foram Kaká e Hulk, Oscar meia pelo centro e Neymar o avante. Em outrora, Neymar era quem regia a sinfonia para variação entre 4-2-3-1 e 4-4-2 em duas linhas, hoje Oscar comandou escassa variação.

Flagrante tático. Brasil postado no 4-2-3-1.

Não se pode fazer outra analise se não for com Brasil no 4-2-3-1 com bola nos pés, ate porque, Brasil teve média superior a 60% de posse de bola.
Neste esquema, a trinca de meias trata-se do coração de equipe. É impraticável jogar no 4-2-3-1 com meias estáticos e com movimentação preguiçosa, sem contar as funções defensivas.
Esmiuçando a trinca:
- Oscar: Diferentemente de outros carnavais, Oscar atuou centralizado e com movimentação do meio para frente, três quartos do campo, não teve movimentação padronizada de recuar e organizar.
Inversão de papeis com Neymar e Kaká. A leitura tática de Oscar oferece ao treinador diversos movimentos padrões para compensar certas movimentações. Uma delas é quando, Neymar, naturalmente, sai da área e Oscar logo se dispõe a ocupar espaço do camisa onze, a fim de não deixar buracos e manter esquema base.
- Kaká e Hulk: Ambos atuaram de pés trocados – destro na esquerda e canhoto na direita – com intuito de abrir corredor para lateral fazer ultrapassagem.
Kaká não ficou preso pelo flanco esquerdo, corriqueiramente aparecia no centro ou ao lado de Hulk.  Troca de posição entre Oscar foi essencial para dinamizar o setor de criação. Confesso que estava incrédulo quanto a capacidade física de Kaká, porém, atuou com certo sucesso como extremo, posição que requer capacidade física nos trinques.
Hulk atuou como se estivesse no seu antigo clube, Porto. Aberto pelo flanco direito com movimentação padronizada quando recebe a bola: corta para dentro, abre corredor e consequentemente gera um leque de opções para jogada – passe, chute, lançamento. Porém, em comparação aos demais, ficou mais estático e preso a sua zona do campo.

A movimentação ofensiva mais clara e evidente foi utilizar os extremos de pés trocados a fazerem diagonais e abrir corredor para passagem dos laterais. O corredor, melhor, avenida, estava à disposição dos laterais, porém cruzamentos a área não eram melhor opção. Para cruzar o ataque tinha de ser posicional e com sucessiva troca de passes e infiltração dos meias a grande área, pois Neymar não é “9” de imposição e cabeceio.

Por ter mais de 60% de posse de bola, a seleção jogou com ataque posicional e tendo que criar a abrir espaços na defesa do Iraque. Com trinca de meias mais a frente e não participando das zonas inicias de criação, zagueiros e volantes assumiram a transição ofensiva. Tanto David Luiz quanto Thiago Silva comandaram a incessante troca de passes na linha central. Já, Paulinho e Ramires aceleravam o jogo para os meias.

Reparem o frame abaixo. Brasil iniciando transição em zona de organização de jogo baixa. Zagueiros e volantes é quem executam inicio ofensivo. Laterais aproveitam estreitamento dos meias para ocupar corredor. Meias próximos deixam o lado com laterais e aproximam entre si e de Neymar para tabela.

Flagrante tático. Brasil no 4-2-3-1 iniciando transição ofensiva. No detalhe: laterais avançados. Reparem que meias estão próximos e bloco do meio campo dividido em dois: volantes próximos dos zagueiros e meias em aproximação a Neymar.

Falando de Neymar, aproveito para elucidar que nosso camisa onze não foi “falso-9”, talvez pretendesse. “Falso-9” não é um atacante leve, de movimentação, que é posicionado solitário à frente, é mais do que isso. Esta posição surgiu dos pés de Messi, decorrente de sua movimentação, mas, com o tempo, banalizaram o “falso-9”, delegam a qualquer atacante franzino esta denominação. Ultrajante.
Eleito para ser o único avante à frente, a joia santista foi estrela solitária do ataque, em compensação, meio campo brilhou como um todo.
Esta readaptação de Neymar serve de aprendizado a nosso diamante bruto que, deve ser lapidado. Neymar não pode ficar preso a um palmo de terra, por melhor que possa ser neste canto. Serve de aprendizado e palmas a Mano pela iniciativa.
O garoto não conseguiu jogar de costas para o gol, movimentação essencial para “centroavante”. Suas grandes jogadas foram com arrancadas partindo de trás e tabelas quando marcação estava frouxa.

Enfim, o embate entre Brasil e Iraque acentuou a diferença entre ambos. Amistoso digno de David e Golias, porém, o pequeno David não demonstrou sucesso perante o gigante Golias.
A tônica do jogo: futebol consolidado brasileiro versus rascunho de esporte praticado na grama com objeto esférico. 

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Mano, mais perdido que cego em tiroteio


Amistoso entre Brasil e África do Sul em pleno feriado do dia sete de setembro, data comemorativa de nossa independência. Ressalto que independência em relação a Portugal, éramos colônia e nos tornamos uma republica. 
No âmbito futebolístico, ainda estamos sob amarras da CBF e seu cartel que envolve transações, calendário dentre outras mirabolantes e inexplicáveis atitudes. Portanto, tratando de futebol, não há nada para comemorar.

Mano Menezes sequer definiu seu esquema para Copa do Mundo de 2014. Durante o período dos jogos Olímpicos, o 4-4-2 em duas linhas parecia ser o esquema que agradava o selecionador brasileiro. Para partida contra sul-africanos, seguiu as duas linhas, mas com configuração diferenciada. A segunda linha foi composta por: Lucas, Oscar, Rômulo e Ramires; Lucas winger de pé certo na direita e Ramires de pé trocado na esquerda, Oscar como legitimo Box-to-box ao lado do volante Rômulo.
Confesso que não foi agradável aos olhos esta formação, lhes explico: Não é novidade para Oscar e Ramires estas posições, porém, Ramires, no clube londrino, atua em transição – contra-ataque – e, na seleção, o estilo de jogo é tocado, criando e Ramires precisa jogar de costas e com arrancadas limitadas pelo campo; Já Oscar atuou desta maneira nas seleções de base do Brasil e no Internacional, não é novidade, mas, devido ao curto espaço de tempo para treinar, faltou “liga” entre os demais meio-campistas.

Na casa mata não parecia que estávamos sob o comando de Mano Menezes, a seleção tinha pitadas de Carlos Alberto Parreira. O tempero de Mano Menezes se confundiu com excelentíssimo Parreira por adotar a estratégia de uma seleção que toca, toca, toca e não chega a lugar algum. Jogadores próximos, setores longínquos, esta foi à tônica do Brasil.
O toca-toca brasileiro tem nome: ataque posicional com saída por bloco baixo e jogadores fixos, amarrados, estáticos. O exemplo de maior impacto é Lucas. Escalado como winger, o são paulino ficou restrito ao flanco direito, facilmente marcado e previsível com bola nos pés. Sem contar que Lucas não executava função ao defender como manda o gabarito do winger: recuar, se preciso, até sua linha de fundo.

Flagrante tático. Brasil postado no 4-4-2 em duas linhas. Reparem que Lucas não fica alinhado a Ramires.

 Teoricamente, apenas teoricamente, o lado de maior “encantamento” brasileiro seria o direito com Daniel Alves e Lucas pelos flancos e Oscar fechando triangulação pelo centro, porém, este esteve apagado e pouco acionado durante partida.
Setor esquerdo tinha Marcelo e tão somente Marcelo. Ramires como winger pela esquerda e jogando com ataque posicional não se econtrou.
Rômulo atuou como primeiro volante com meio campo em linha, teoricamente impraticável, pois é necessário que os “volantes” auxiliem tanto defensivamente quanto ofensivamente.

Transição defensiva por pressing. Em suma, a seleção optou por realizar a transição por pressing, ou seja, pressionando logo que a bola é perdida no campo ofensivo. Este pressing estava presente e dosado durante laterais, tiros de meta, ataque posicional já postado no campo do adversário. 
Não por acaso esta estratégia foi adotada. Caso a bola seja recuperada no campo de ataque, o adversário esta desorganizado e a bola esta mais perto do objetivo – gol – levando o adversário a quebrar – balão – ou perder a posse de bola. Portanto, recuperar a posse de bola no campo de ataque e logo transitar em velocidade é contra-atacar.
Porém, o grau de perfeição brasileiro nestes pressing’s foi de baixo acerto ou, corriqueiramente, obrigando os africanos a “quebrar” e devolver a posse ao Brasil aos zagueiros e/ou goleiro.

Flagrante tático. Pressing brasileiro com superioridade no setor, 6x5.

Posicionamento ofensivo foi sonolento. Por tramar jogadas em bloco baixo e este mesmo bloco estar recuado e distante dos meio-campistas, os passes laterais, recuados foram em excesso, quando não havia lançamentos a Neymar e Damião.
Para fugir deste vicio, Mano armou a seleção no 4-2-3-1 na metade para o fim do primeiro tempo. Oscar passou a ser o legitimo “camisa 10” brasileiro e Ramires formar volancia ao lado de Rômulo. Com Oscar armando pelo centro, era ele quem recuava para abrir o jogo e iniciar as jogadas, seja recuando entre volantes ou pelas laterais, um legitimo “faz tudo”.

Flagrante tático. Brasil deixa de lado duas linhas e adota 4-2-3-1.

O 4-2-3-1 passou a ser o esquema adotado para segunda etapa e com mesmas ou semelhantes estratégias. O pressing brasileiro passou a ser com menor intensidade e os momentos defensivos com maior presença. Este posicionamento em fase defensiva tinha excesso de desrespeito as funções atribuída aos jogadores. Oscar tinha de recuar e formar um triangulo no meio campo com Ramires e Romulo para compensar a desobediência dos wingers Neymar e Lucas.  Sem os flancos ocupados, a Africa do Sul passou a ter maior liberdade e conseguindo trocar passes. O tripé, ora de base alta, ora de base baixa, passou a bascular de lado a lado e, por vezes, abrindo o corredor central para cobrir o flanco.

Flagrante tático. Oscar já no 4-2-3-1, recua para iniciar ataque.

A exemplo do 4-4-2 em duas linhas, o 4-2-3-1 careceu de maior movimentação. Citado anteriormente, Oscar foi “pau para toda obra”, lembrou a função de carrillero, pois marcava trilhos no campo ao defender junto aos volantes e atacar com meias e Damião. Porém, Lucas e Neymar seguiam devendo.

Infelizmente, Mano ainda não possui ou não conseguiu impor um estilo de jogo a seleção brasileira. Não há uma constante de exibições e performances de encher os olhos. A variação entre as duas linhas e o "modismo" do 4-2-3-1 é constante e sem resultados.
Não serei categórico ao afirmar que Mano balança. A torcida paulista é exigente e, antes dos cinco minutos de jogo, já disparava vaias a seleção. De nada adianta bradar aos quatro ventos nomes de jogadores sequer selecionados ou treinador para o posto, como diria José Wilker na novela senhora do destino: "o tempo 'ruge' e a Sapucaí é grande".
 A corneta em nada ajuda dentro das quatro linhas. Porém, põem duvida em Marin se Mano Menezes é o nome certo para 2014.

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Brasil do 4-4-2 ao 4-2-3-1 e, Galvão explicando a morte do ponta


Brasil e Suécia reviveram a final da Copa do Mundo de 1958. Mais do que um simples amistoso, esta partida trata-se da despedida do estádio Rasunda. Deixo claro que não será o ultimo jogo, "apenas" uma despedida de luxo, pois o AIK seguira jogando no estádio ate o final do ano.

Se analisarmos por uma ótica fria e calculista, podemos cravar que Mano Menezes não possui um esquema base, após dois anos de trabalho. Mas, analisando por uma ótica baseada no conhecimento e experiência no futebol, fica claro que Mano possui um leque de esquemas e estratégias. Leque este apresentado nos jogos olímpicos, quando, Brasil utilizou 4-4-2em duas linhas, 4-2-3-1,4-4-2 losango e 4-3-2-1.

Flagrante tático. Brasil em posicionamento defensivo no 4-4-2 em duas linhas.

Neste amistoso contra Suécia, Mano optou por dois esquemas bem definidos e facilmente diferenciados em duas fases: defendendo em duas linhas de quatro com Oscar e Ramires alinhando-se aos volantes e Neymar e Damião formando dupla de ataque; ao retomar posse de bola, Damião avança, desprende-se de Neymar, o 4-4-2 fica de lado e o 4-2-3-1 toma forma com o avanço dos wingers.

Flagrante tático. Brasil no 4-2-3-1.

Em posicionamento ofensivo, o Brasil demonstrou uma carência que obrigava os zagueiros a quebrarem a bola. O 4-2-3-1 tomava proporções ofensivas e estáticas, ou apenas com movimentação indiana - em fila, ninguém recua para buscar o jogo, ou avança para lançamento em profundidade. O avanço dos wingers fazia com que o Brasil rodasse a bola sem objetividade, pois um 4-2-4 tomava forma. Claramente o Brasil não possui o cacoete de jogarem duas linhas, pois, os volantes não existem, são meia centrais que organizam e apresentam-se a frente e possuem incumbência de atacar pelo centro. Os wingers, de fundo - fazem vai e vem grudados a linha -, ou criadores - ingressam em diagonal para organizar pelo centro. Neymar atua bem como atacante de movimentação, não passa de Damião e não recua antes da segunda linha. Damião e o clássico striker, principal incumbência fazer gol.

Flagrante tático. Brasil postado ofensivamente no 4-2-4. Reparem que Ramires atua colado a linha lateral.

Outro fato que me chamou atenção foi Gavião Bueno. O narrador da rede globo teve um feliz comentário. Estava tão claro as duas linhas brasileiras com Oscar e Ramires como wingers que, Galvão disse: " A movimentação de Oscar e Ramires e apenas pela linha de fundo, não ingressam pelo centro. E fácil marca-los. O antigo ponta era assim, ele fica marcado pela linha lateral, linha de fundo e lateral que fecha o centro."
Aos que desconfiam do conhecimento de Galvão, esta citação e uma clara demonstração de não se enganar com o narrador.
Galvão, sem querer, explicou à morte do antigo ponta que, ficava grudada a linha de fundo e aos poucos foi "morrendo". O ponta, em diversos países, teve de se remodernizar, seja por atuar mais por dentro, de pé trocado, recuando, trocando e invertendo com o outro ponta, enfim, aumentar seu repertorio de jogadas.

Porque Galvão tocou neste ponto? Simples. Oscar e, principalmente, Ramires atuaram desta forma. Ramires foi um pendulo pela direita, sua movimentação era clara e restrita, apenas pelos lados do campo e grudado a linha lateral. Toda ação causa uma reação. A ação de Ramires causava a reação de Dani Ales, esta foi de não ir à linha de fundo. O lateral do Barcelona tinha de apoiar por dentro, sem este cacoete, perdemos forca ofensiva pelo lado direito.
Porque Ramires não funcionou neste 4-2-3-1 da seleção se joga na mesma posição no Chelsea? Funções. No Chelsea, Ramires joga em velocidade e em no contra-ataque. Na seleção brasileira, o winger precisa desta transição em velocidade, mas, especificamente, o Brasil dificilmente joga em contra-ataque, Mano prefere toque de bola. Ramires não é criador, tão pouco driblador, usa-lo como winger com esta estratégia é incompreensível.

Alias, esta não é carência particular de Ramires. As escolas brasileiras de formar jogadores de futebol deixaram de lado o ponta. Vale a velha historia contada por Kenny Braga:
"Garotos vão a clubes de futebol para realizarem seus sonhos de se tornarem jogadores. Após fazerem as famosas peneiras, os que ganham destaque são escolhidos. Quando lhes perguntam em que posição jogam e, este pequeninos respondem PONTA, os treinadores sorriem e dizem impossível jogar desta maneira. Acabaram com o ponta".
Generalizando e englobando posições, o ponta se tornou winger. No Brasil, salvo raras exceções, poucos clubes atuam no 4-4-2 em duas linhas, sendo assim, não há formação de wingers ou meias centrais. É de conhecimento geral que o 4-2-2-2 impera nos campos de várzea do Brasil e categorias de base, sendo assim, nossos meias atuam por dentro e nossos volantes são restritos a marcação.


Flagrante tático. Brasil defendendo em duas linhas, porém, não estava compactas, reparem que dois jogadores flutuam entre elas. Por não ter volantes cobrindo por dentro, lateral precisa bascular. 

Conclusões? Mano possui um leque de opções para escalar a seleção, não definiu com clareza qual ira escolher, porém, pende ao 4-2-3-1 e suas variações.

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Brasil, do 4-3-3 ao 4-4-2


Mano Menezes surpreendeu ao sacar Hulk – “atacante” -, um dos atletas acima da idade olímpica, e optar por Alex Sandro – jogador versátil, lateral/meia. A escolha por Hulk não se confirmou, mas é facilmente explicar o porquê: A alcunha de Hulk não é por mero acaso, o atual jogador do Chelsea possui vigor físico de causar inveja e, sabidamente, os Jogos Olímpicos tratam-se de uma competição sub-23, imaginava-se que Hulk teria ampla vantagem física. Não se confirmou, mas a iniciativa foi valida.
Não é uma simples troca de nomes. Mano, aparentemente, tinha como base o 4-2-3-1, porém a instabilidade defensiva obrigou o treinador a procurar outros meios para defender com maior eficácia. Mano rodou por alguns sistemas, mas, curiosamente, sempre tinha como base ao defender o 4-4-2 em duas linhas. Será que Mano foi tomado pelo clima Londrino e homenageou o país com um esquema tipicamente Inglês?

Um aviso para quem, ainda, não conhece Mano Menezes, o treinador é gaucho e com formação tipicamente do sul. O que seria uma formação sulista? Existem duas escolas que imperam no Rio Grande do Sul: O futebol força de imposição de Osvaldo Rolla (Foguinho); Futebol arte de Enio Andrade. Dois treinadores de renome que marcaram época no estado por divergirem na maneira de jogador futebol.
Acredito que Mano tem suas raízes em Foguinho, mas não é fixo a estas ideias.

Teté, autor da seguinte frase, no tempo em que as bolas de futebol eram de couro: “Bola é feita de couro. Couro vem do boi. Boi gosta de grama. Portanto, a bola tem rolar junto à grama”. De certa forma, Teté era um precursor de Ênio Andrade.

Após esta breve introdução, vamos à partida.

Mano saiu do 4-2-3-1 e apostou em um hibrido, ou variação de esquemas com e sem bola. Sem posse de bola a seleção aparentava um 4-4-2 em duas linhas em posicionamento defensivo. Ao tomar a bola Oscar aproximava de Leandro Damião e Neymar, o 4-3-3 tomava forma. 

4-4-2: Esta formação tomava forma quando Oscar recuava e alinhava-se ao tripé de volantes. Uma segunda linha de quatro era formada com Alex Sandro abrindo e cobrindo o corredor esquerdo, deixando Sandro e Rômulo frente aos zagueiros. Neymar e Leandro Damião não participavam das manobras defensivas, ficavam a frente a postos para contra-ataque direto, ou seja, pouca troca de passes.

Flagrante tático. Brasil iniciando movimentação para 4-4-2 em duas linhas. Oscar deslocando-se para cobrir corredor direito e Alex Sandro já posicionado aberto na esquerda.

Além do 4-4-2 em duas linhas, a seleção usou o 4-4-2 em quadrado com Oscar e Alex Sandro atuando por dentro e fechando a faixa central. 

Flagrante tático. Movimentação rara do Brasil, mas existente. 4-4-2 em quadrado - 4-2-2-2 - com Oscar e Alex Sandro alinhados frente aos volantes. 

4-3-2-1: Esquema com maior déficit de marcação. Em contrapartida, foi pouco utilizado. Oscar e Neymar apenas recuavam alguns metros de Damião. Ambos não recuavam a tal ponto de fechar os flancos, apenas faziam volume. Interprete como arvore de natal ou ponta de flecha, este ficou devendo ao defender.

Flagrante tático. Brasil defendendo postado no 4-3-2-1 com Oscar e Neymar apenas fazendo numero no campo defensivo.

4-3-3: O simples avanço de Neymar e Oscar fazia com que este 4-3-3 tomasse corpo. Alias 4-3-3 diferente do que estamos acostumados, pois na há a figura de um meia de criação no triangulo de base alta no meio campo. Sandro fica como primeiro volante, Rômulo e Alex Sandro cobrem o flanco e fornecem subsidio para passagem do lateral pelo corredor. É um 4-3-3 especifico para contra-ataques, pois, quando teve que propor o jogo, a movimentação restrita e “acimentada”, obriga os zagueiros a ligação direta para o ataque.
Não somente ao atacar, mas ao defender "atacando" o adversário. O 4-3-3 tinha intensa movimentação do tridente ofensivo ao marcar e incitar o adversário ao erro, não ha posições fixas ao aproximar do adversário, cerca quem esta mais próximo.

Flagrante tático. 4-3-3 com inversão de Leandro Damião e Oscar. Brasil cria superioridade numérica em pequena faixa do campo, Rômulo adianta para dar bote no adversário em campo intermédio.

O estilo de jogo proposto pelo Brasil chamou atenção por ser em contra-ataque. A dificuldade em propor o jogo e a fragilidade defensiva do adversário ao ser pressionado ditou o ritmo da partida. A seleção de Mano Menezes assumiu o risco ao defender em retenção: recuar, agrupar jogadores em seu campo e marcar atrás da linha da bola, o Brasil ofereceu a posse de bola a Coréia.

Porque tamanha dificuldade em propor o jogo? Simples. Não é de hoje que a seleção demonstra carências ao enfrentar seleções postadas em duas linhas de quatro, fechando e ocupando espaços e, principalmente, com adversário marcando.
Se compararmos as duas seleções e suas maneiras de marcar, temos de saudar os coreanos. Os dez jogadores de linha marcam em conjunto e, como uma teia, cobrem todos os buracos possíveis.

Flagrante tático. As duas linhas de quatro coreanas que dificultaram o ingresso a toques do Brasil. Reparem que são linhas compactas, próximas e sem buracos.

O contra-ataque brasileiro foi diferente do que estamos acostumados. Em posição intermediaria, o Brasil dosava suas tentativas de encurralar o adversário e força-lo ao erro. Geralmente, as iniciativas tinham maior volume em tiros de mete, cobranças de lateral e inicio da transição ofensiva – construção de jogadas - adversária em campo intermediário ou defensivo. Ou seja, Brasil jogou no erro forçado da Coreia. Os jogadores coreanos não “quebravam” a bola, inocentemente, a perdiam e cediam sucessivos contra-ataques em campo intermediário e defensiva – coreano.

O Brasil ensaiou um equilíbrio defensivo ao atacar em alguns momentos. Rafael ficava preso a lateral direita e liberava Rômulo a ir a frente pelo lado direito. Oscar rompia do lado para o centro abrindo corredor direito para Rômulo. Alex Sandro pelo lado esquerdo garantia apoio defensivo para Marcelo apoiar, o jogador do Porto guardava posição, abria para o corredor e deixava Marcelo fazer ultrapassagem.
Esta foi uma movimentação rápida, transição ofensiva, pois, dificilmente o Brasil tinha posicionamento ofensivo definido. 

Porque o contra-ataque era, preferencialmente, executado no campo defensivo coreano? Dois fatos. Primeiro, fica mais perto do objetivo – gol. Segundo, a fragilidade da linha defensiva brasileira fez Mano aderir a “três volantes”, os problemas seguiram, então, para não dar chance ao erro, o Brasil não deixava, ou dificultava, a Coreia de adentrar no campo defensivo.

A seleção vive de lampejos e segue inconstante. Não há um padrão defensivo ao marcar pressão no campo do adversário, pois, em diversos momentos um único jogador realização esta pressão resultando em desgaste desnecessário. Outra preocupação gira em torno do posicionamento defensivo de Sandro e Juan, ambos causam panico. Juan por sair a "caça" e nunca voltar com o coelho - bola. Sandro por não passar segurança aos zagueiros, errar passes ou tentar ligação direta oferecendo posse ao adversário.

Passamos trabalho com a Coréia? Na final não sera diferente. México atua em duas linhas, defende de maneira semelhante, a exemplo do Brasil nesta partida, opta por contra-atacar e tem mais cancha.

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Brasil 3 x 0 Nova Zelândia: Mano apresenta uma nova forma de jogar interessante


Análise tática de Victor Oliveira do blog: Painel Tatico

A Seleção Brasileira jogou o necessário para bater a frágil e inofensiva Nova Zelândia. Com os desfalques de Hulk e Ganso, Mano Menezes aproveitou para fazer alguns testes. Além de algumas substituições, trouxe a campo uma nova variação tática. Teoricamente, o Brasil veio postado no seu costumeiro 4-2-3-1. Mano colocou Alex Sandro na vaga de Oscar, Lucas na vaga de Hulk e Danilo no lugar de Rômulo. Damião também retornou ao time titular.

Entretanto, apesar do desenho tático ser o 4-2-3-1 com Neymar pela esquerda e Lucas pela direita, a equipe do Brasil apresentou uma variação tática interessante, ainda não apresentada por Mano Menezes. Sem Oscar e Ganso, escalou Neymar pela esquerda e Alex Sandro para compor o meio central. No entanto, quando a bola era recuperada Neymar recuava para receber o passe e pensar o jogo, como um legítimo meia atacante pela esquerda. Esse foi o painel tático do duelo:


Tal esquemática proporcionou mais movimentação, porém diminuiu o volume de articulação. Com essa alternância de posição entre Neymar e Alex, quando o craque santista vinha para o meio criar as jogadas, o lateral do Porto compunha a linha de quatro que se formava pelo meio, com Lucas fazendo o mesmo papel pela direita. Foi por obediência tática que o meia do São Paulo ficou mais preso pela ala e não centralizou muito na criação, o que somente aconteceu no segundo tempo.

Durante a transmissão, Eduardo Cecconi, sempre cirúrgico, pelo Facebook comentou: “Brasil marca no 4-4-2 em duas linhas bem definidas, deixando Neymar liberado para se movimentar em todo o campo ofensivo, como 2º atacante.” Exatamente isso! Já tinha percebido essa formação da linha no meio campo, o que me fez lembrar o Atlético Mineiro de Cuca, que tem feito exatamente a mesma coisa para potencializar o rendimento de Ronaldinho, como comentado aqui no Painel Tático em postagem anterior. Esse é o 4-2-3-1 atleticano. Em termos estratégicos, um verdadeiro 4-4-2 em duas linhas:


Foi justamente o que aconteceu com a Seleção hoje. O time foi escalado no 4-2-3-1, porém a estratégia era liberar Neymar como segundo atacante num típico 4-4-2 em linhas. Cuca resolveu adequar o seu 4-2-3-1 ao craque do time, já sem a velha mobilidade para exercer a função de atacante pela ponta esquerda. Assim como o Fluminense de Abel e o Corinthians de Tite, o Galo tem jogado numa moderna versão estratégica do 4-2-3-1, uma verdadeira evolução tática do sistema, que na verdade é um retrocesso às suas origens, muito provavelmente o 4-4-2 em duas linhas de quatro. Mano fez a mesma coisa com Neymar na manhã de hoje, porém com o respaldo de Alex pela esquerda:



Cabe ressaltar que o Brasil ainda não tinha jogado dessa forma. Mesmo atuando com Neymar de meia central no jogo contra o Egito, na oportunidade a equipe de Mano não se defendia com duas linhas. Hulk e Oscar não desempenharam essa função, tanto que o Brasil deixou espaços no meio para o Egito criar. Também é bom lembrar que dos três gols de hoje, dois foram marcados pelos volantes, tão ausentes nas partidas anteriores. Creio que o dinamismo e participação dos volantes advêm da experiência tática usada contra a frágil Nova Zelândia. Pode ser uma boa saída tática, até mesmo para a Seleção principal, fazendo essa mesma variação com Ramires e Neymar pela esquerda. Abraço!

Victor Lamha de Oliveira

Leia mais: http://paineltatico.webnode.com/news/brasil-3-x-0-nova-zel%c3%a2ndia%3a-mano-apresenta-uma-forma-de-jogar-interessante/

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Inspirado por britânicos, Mano adere ao 4-4-2


Jogos Olímpicos em Londres, amistoso contra Grã-Bretanha. Mano sentiu o clima e inovou ao lançar o Brasil em um 4-4-2 tipicamente inglês. Um teste valido, afinal, defrontamos os reis do 4-4-2 em duas linhas, os britânicos.

Brasil e Grã-Bretanha protagonizaram um jogo COMPLETAMENTE amistoso. Intensidade baixa, muitas substituições, ninguém jogando pela vida, enfim, amistoso.
Mesmo tratando-se de um amistoso, há peculiaridades que possuem grande relevância. A começar pela surpresa que Mano nos propiciou. Em fase defensiva, seja pressionando a frente ou baixando o bloco, agrupando jogadores, o Brasil apresentou um 4-4-2 britânico.
Deixamos o 4-2-3-1 de lado? Não, muito pelo contrario, esta mais consolidado do que nunca.

Porque duas linhas? Naturalmente o primeiro pensamento de um treinador é não levar gol, para isto, é preciso adequar o esquema com os jogadores que se tem em mãos. Mano Menezes possui dois jogadores, Hulk e Oscar, acostumados a jogar pelo flanco e serem solícitos a marcação quando necessário. Neymar é a namoradinha do Brasil, cronistas crucificaram Mano Menezes caso colocasse função defensiva no camisa 11, pois, no Brasil “craque não marca”. Portanto, Neymar alinha-se a Damião e cerca saída de bola adversária.

Flagrante tático. Brasil no 4-4-2 em duas linhas. Bloco médio.

Mano atribuiu o 4-4-2 em duas linhas ao defender. Diferente de outras partidas, os wingers recuavam e acompanhavam o lateral como manda o gabarito. Devo ressaltar que este 4-4-2 este presente com seleção jogando em bloco baixo – defendendo em seu campo -, bloco alto – pressionando saída do adversário.
Os wingers atuaram preferencialmente de pés certos – destro na direita, canhoto na esquerda -, esporadicamente aconteceu uma inversão entre eles.
A troca, movimentação mais constante foi entre Leandro Damião e Neymar. Curiosamente Leandro Damião foi mais solicito que Neymar na recomposição.
Quando a seleção da Grã-Bretanha adentrava no campo do Brasil, a seleção baixava seu bloco, formava as duas linhas com pouco espaçamento entre elas e deixava Neymar e Leandro Damião mais a frente, soltos para receber lançamentos.

Flagrante tático. Brasil postado no 4-4-2 em bloco baixo sem atacantes participando defensivamente.

Com posse de bola o 4-2-3-1 tomava forma mais clara, ainda que, sem posições definidas. Logo que a seleção tomava posse da bola, Leandro Damião avançava, Neymar mantinha-se no meio campo para “organizar”. Outra peculiaridade. Neymar não foi winger. A joia santista atuou centralizado e flutuando pelas faixas do campo.
Com posse de bola o 4-2-3-1 impera. A movimentação dos três meias é essencial, esteve presente, mas de forma acanhada. Com Hulk na esquerda, o Brasil fica verde. Hulk não tem cacoete de jogar acelerando a linha de fundo, sua característica é muito clara, cortar e chutar.
Neymar pelo centro é uma bela tentativa de redescobrir o garoto. A ponta, canto, palmo esquerdo de campo estava tornando inerte a principal figura brasileira.
Oscar, semelhante a Hulk, esteve acanhado e ficou devendo. A desculpa não é sua posição, ele atua desta forma no Inter, winger pela direita, mas fica evidente que centralizado rende de melhor forma, tanto recuando e organizando, quanto avançando para comandar a pressão no adversário.

Flagrante tático. Brasil postado no 4-2-3-1.

Transição ofensiva é clara. Brasil assegura que primeiro passe vá para algum lugar do campo em que não será pressionado e a partir dele algo comece a ser tramado algo. O contra-ataque é deixado de lado. Lançamentos à frente só em condições claras e caindo de maduro.
Posicionamento ofensivo é semelhante a outras seleções brasileiras. Passe curto, paciente, rodando, procurando o melhor momento para infiltrar. O bloco adianta-se, zagueiros passam a jogar sobre a linha de meio campo, mas não a evolução da bola. Jogadores adiantam-se, mas a bola continua em faixa intermediaria. O recuo de Neymar e Oscar para abrir espaço foi sem êxito.

Sem espaço

Perante a movimentação, sem bola, apresentada pela seleção brasileira, fica ainda mais evidente que Ganso será banco de Oscar/Hulk. O quarteto ofensivo movimenta-se de tal forma que todos estiveram presentes em diversas posições no meio campo.
A inércia presente em Ganso não casa com a proposta de jogo apresentada pela seleção brasileira e, requerida por Mano Menezes.

Flagrante tático. Brasil defendendo no 4-2-3-1 com Damião compondo meio e Neymar de atacante.

Por diversos momentos a seleção adianta seu bloco, pressiona saída de bola adversária e a força a: recuar ate o goleiro e este quebrar à frente; desarmar no campo do adversário e contra-atacar já no campo do adversário. Com Ganso esta marcação estaria capenga, pois ela necessita do quarteto ofensivo marcando, cercando adiantado. 

Flagrante tático. Brasil no 4-2-3-1. Observem: Neymar como winger pela esquerda; Oscar winger pela direita; Damião como meia central; Hulk o referencial.

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Mano monta seleção com intensas variações de esquemas


Para o clássico entre Brasil x Argentina, Mano Menezes aprontou algumas surpresas. O treinador tinha de mudar algo em relação ao ultimo jogo, a seleção, aparentemente, estava sendo facilmente marcada. Durante a semana correram boatos que, Sabella estava montando um time para anular os flancos do Brasil da seguinte maneira: Zabaleta e Clemente Rodriguez seria laterais de pés trocados – destro na esquerda e canhoto na direita -, isto para dar a linha de fundo a nossos pontas e bloquear infiltrações; duas linhas de quatro para fazer um bloqueio e povoar os lados do campo com, novamente, jogadores de pés trocados, Di Maria na direita e Sosa na esquerda, ambos auxiliando os laterais no bloqueio. E, de fato, isto aconteceu.

Mano contragolpeou durante a semana. Em treinos fechados mudou seu esquema de jogo. Saiu do 4-2-3-1 com: dois volantes frente à linha de defesa, três meias na faixa central e apenas um homem à frente. Mano adotou uma grande variação de esquemas, aproveitando a característica individual de cada jogador, exemplos: Oscar é voluntarioso e atuou como volante no losango e meias pelos lados do campo; Hulk, foi atacante ao lado de Damião e winger fechando o flanco para não deixar o lateral fazer 2x1.

Flagrante tático. Brasil com meio campo em losango, Oscar como volante e Neymar como ponta-de-lança.
Independente de esquema utilizado a seleção esta tomando "cara". A pressão sobre a bola segue, agora de maneira dosado e alternando para surpreender o adversário. As melhores chances do Brasil foram com bolas recuperadas a frente, graças a estas blitz. Compactação defensiva quando equipe fica postada em seu campo. Problemas na transição ofensiva, quando seleção precisa sair de trás armando, não foram resolvidos.

A intensidade e possibilidade de variações de esquemas assusta, não negativamente, mas da melhor forma possivel. O Brasil não fica preso a um só esquema, durante a partida o treinador tem possibilidade de variar sem ter que usar o banco de reservas. Neste sábado os grandes coringas destas variações foram Hulk e Oscar, a dupla assumiu esta responsabilidade e comandou com maestria as intensas trocas de sistemas.

Os esquemas utilizados:

- 4-3-1-2: É ponto de partida para outros esquemas. O tripé de volantes foi formado por: Sandro na primeira função, Romulo pela esquerda e Oscar fazendo pendulo entre winger e volante na direita. Oscar lembrou o Box-to-box inglês e, carrillero argentino, pois recuava ao defender e avançava com posse de bola, marcou um trilho no campo.
Hulk foi atacante pela esquerda, atuava de pé certo, não precisava cortar para o centro, porém, demonstrou estar fora de orbita nesta posição, invariavelmente buscava o lado direito, sua “casa”.
Um parágrafo a parte para Neymar: “Neymar pelo centro atuou como ponta-de-lança do losango. Não foi organizador, seguiu sendo o mesmo Neymar com irreverência e partindo para cima dos marcadores, mas desta vez, pelo centro. Não foi um meias que se aproximava dos volantes, era o contrario, destoava dos volantes e aproximava-se dos atacantes. Mano sabiamente queria aproveita-lo na faixa central, de frente para o gol, assim não precisava enveredar para o centro, mas teria de dividir campo com meio-campistas.”

Flagrante tático. Neymar distante do tripé de volantes, mais próximo dos atacantes.

- 4-4-2/4-4-1-1: Esquema utilizado quando equipe estava posicionada defensivamente. O tripé de volantes se mantém, mas com Oscar e Romulo alinhando-se a Sandro. Hulk recua e alinha-se aos volantes. Assim, uma segunda linha de quatro toma forma. Neymar ora recua e fica postado frente a esta segunda linha, ora avança e fica ao lado de Leandro Damião. Ressalto que este esquema espelha o 4-4-2 argentino.

Flagrante tático. O 4-4-2 brasileiro espelhando o esquema argentino.

- 4-3-2-1 arvore de natal: Este presente na transição defensiva. Primeira linha defensiva e tripé de volantes se mantêm. Normal, pois Oscar, quando vai à frente, recompõe rapidamente e com grande efetividade. O incrível, antes alinhado a Damião, recua e passa a jogar na mesma faixa que Neymar, ora na esquerda, ora na direita.

Flagrante tático. Transição defensiva. Em amarelo o 4-3-1-2 se se desfazendo para tomar forma do 4-3-2-1 em preto com recuo de Hulk.

- 4-2-3-1: Esquema que toma forma defendendo e atacando. Neste plano a seleção lembra o Santos de Muricy e seleção de Dunga. Hoje, Oscar é o coringa entre esquemas, ele quem comanda a variação entre 4-2-3-1 e 4-4-2 losango. A seleção pode pressionar a frente com tridente de meias, ou defender com os mesmos recuados e fechando os espaços. Contra Argentina, Oscar ficou mais reticente, preferia organizar os movimentos ofensivos, não foi tão à frente como Hulk. Neste esquema, os wingers – Hulk e Oscar – invertiam de lados para confundir marcação.

Abaixo uma imagem emblemática, pois nela analisamos com facilidade os diversos esquemas citados a cima.

Flagrante tático. Imagem que demonstra a possibilidade de diferenças perspectivas de analises e interpretações.

- 4-4-1-1 em preto. Reparem que Hulk recua e fica alinhado aos, antes “solitários”, tripé de volantes.

- 4-3-1-2 em amarelo. O esquema se desfaz pelo simples recuo de Hulk na ponta esquerda.

- 4-2-3-1 em roxo. Os wingers recuam e ocupam a faixa lateral do campo, Neymar postado a frente bloqueando ingresso pela faixa central.

Esta serie de esquemas e interpretações nos demonstram o quão complicado é analisar um time, seleção, jogo. Por uma visão simplista diríamos que o 4-4-1-1 é o esquema dominante na partida e o simples avanço dos wingers forma o 4-2-3-1. Nesta partida, não foi bem assim. Hulk avançava e ultrapassava Neymar, ficava postado mais a frente pela esquerda alinhando com Damião, formando o 4-3-1-2. Oscar pouco avançava e não se tornava winger pelo flanco.

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Ronaldinho e Neymar, eles abandonaram a ponta esquerda


O que Ronaldinho e Neymar podem ter em comum? A tão falada ponta, flanco, lado, cantinho esquerdo, você decide como denomina-lo. Um em fim de carreira, outro na flor da idade, porém ambos estavam caindo na mesmice, mediocridade, previsíveis e facilmente marcados.  Neste final de semana, tudo mudou, ou, uma tentativa.

Porque a ponta esquerda? Neymar e Ronaldinho são destros e jogando pela esquerda teriam facilidade em cortar para o centro e finalizar. Alem disso, jogariam em cima do lateral, bloqueando o apoio do mesmo e se aproveitando da fragilidade na marcação do lateral, estariam longe da marcação dos beques, viriam de trás em velocidade e de frente para o gol.

Ronaldinho estreou seu novo clube, o Atlético Mineiro. Cuca mantém boa relação com Assis, jogaram juntos no Grêmio. O treinador do Galo pediu a Assis contratação de Ronaldinho, garantindo que o “cuidaria” bem.

Esta posição centralizada não é novidade para Ronaldinho. O Gaúcho, recentemente, jogou assim no Flamengo e Seleção Brasileira, porém sem empolgar. Mudar é preciso, mas é obrigação reconhecer as características do jogador. É de conhecimento geral que Ronaldinho não é armador, longe disto. Despontou no Grêmio como atacante de velocidade e a Europa o transformou em ponta, winger, extremo, meia pelo lado, seja como for, sempre foi jogador de arrancada, velocidade e dribles.


O camisa 10, melhor, 49, recua para explorar os contra-ataques com seus lançamentos de longa distancia. Nesta partida, se movimentando, foi voluntarioso. A torcida mineira suspira por, talvez, ter um Ronaldinho Gaúcho querendo responder as criticas e voltar a ser protagonista e não um mero figurante.

No Atlético Mineiro atua centralizado, mas longe do atacante. Tem de a ser organizador, pois não é mais o mesmo de sete anos. O gaúcho perdeu arrancada, dribles em velocidade e movimentação que é característica desta posição. O que sobrou de Ronaldinho duas vezes eleito o melhor do mundo? Passes e lançamentos precisos. Ronaldinho pode não ser o mesmo, mas pode explorar a velocidade dos wingers Bernard e Danilinho, estes sim aceleram o jogo pelo flanco e compensam a letargia gaúcha.

Flagrante tático. Ronaldinho pelo centro no 4-2-3-1.

Neymar, a joia brasileira. Clubes europeus o querem a peso de ouro e o alvinegro praiano luta bravamente para mante-lo, ate agora com sucesso. Em meio a elogios, comparações e sondagens, duas aulas de futebol apagaram o brilho do menino de moicano, Santos x Barcelona pelo mundial e hoje, Brasil x Argentina. Em ambas partidas o menino brasileiro sucumbiu perante Messi, às comparações foram por água abaixo e o argentino demonstra que nosso menino precisa evoluir e, muito.

Ora como atacante pelo centro, ora na ponta esquerda. Ultimamente no cantinho esquerdo de Ronaldinho Gaúcho, e neste canto, palmo de chão as criticas tomaram grandes proporções. Cair na ponta esquerda não é o problema, mas a letargia, a inércia que esta ponta atrai os sucumbe. Neymar estava se tornando pragmático e seu repertorio antes vasto, passou a ser acanhado. Mas porque Neymar fez tanto sucesso no lado esquerdo e depois sumiu? Simples, os adversários o estudaram e acharam uma maneira de anular seus movimentos.

Nesta excursão aos Estados Unidos, Mano Menezes escalou Neymar como ponta na primeira partida, o garoto pouco fez e criticas caíram sobre ambos. Para o clássico contra a Argentina algo tinha de ser feito. Sabella sabiamente treinou sua seleção com laterais de pés trocados, para marcar os wingers brasileiros por dentro e dar a linha de fundo a eles. Mano deu a resposta, colocou Neymar pelo centro e Hulk na esquerda de pé “certo” e alem disto, saiu do 4-2-3-1.

Neymar pelo centro atuou como ponta-de-lança do losango. Não foi organizador, seguiu sendo o mesmo Neymar com irreverência e partindo para cima dos marcadores, mas desta vez, pelo centro. Não foi um meias que se aproximava dos volantes, era o contrario, destoava dos volantes e aproximava-se dos atacantes. Mano sabiamente queria aproveita-lo na faixa central, de frente para o gol, assim não precisava enveredar para o centro, mas teria de dividir campo com meio-campistas.

Flagrante tático. Neymar atuando centralizado, as costas dos volantes como ponta-de-lança.

Neymar não foi gênio nesta posição, porém, saiu da mesmice. Demonstrou ser volátil a outras posições.

Ronaldinho e Neymar, um lembra o outro e o outro lembra o um. Que Neymar seja o Ronaldinho do passado e não este do futuro.

Independente da posição, a dupla precisa se movimentar, nada cairá do céu. Ambos podem jogar na tão falada ponta esquerda, mas não estáticos, a marcação virá, basta responder e saber como sair da mesma. MOVIMENTAÇÃO, ocupação de espaços, aproximação e, claro, o drible, tudo isto somado é sucesso na certa.

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Seleção de Mano tomando forma no 4-2-3-1


Mano não mudou seu esquema de jogo, porém, abandonou o hibrido 4-2-3-1 em fase ofensiva e 4-3-2-1 em fase defensiva. O treinador gaucho adotou de vez o 4-2-3-1 e completamente diferente das ultimas seleções que nos foram apresentadas.

Flagrante tático. Brasil postado no 4-2-3-1.

O tempo nos acostumou em vermos uma seleção sem brilho, decadente e previsível em seus movimentos. Mano esta quebrando alguns paradigmas, tais como marcar desde os homens mais a frente, pressionar o adversário e diminuir a incessante troca de passes sem objetivo algum.

Com posse de bola o Brasil se posta no campo adversário, troca passes curtos, porém depende essencialmente de seu meia central e wingers de pés trocados – canhoto na direita, destro na esquerda. A dupla de volantes não participa ofensivamente, apenas se posta em campo alto para pegar rebote ofensivo e pressionar a saída de bola adversária.
Mano treinou incessantemente a saída de bola brasileira, pois presumia que os EUA dificultariam esta transição. Com laterais bloqueados, zagueiros livres, propositalmente, para criar e volantes apenas trocando passes recuados, alguma solução tinha de ser adotada. Oscar assumiu a saída de bola, recuava entre o lateral e zagueiro para dar suporte do primeiro passe, ora pela direita, ora pela esquerda. Neymar por vezes executou movimento semelhante, porém sem mesma envergadura criativa que Oscar. Hulk ficou preso na ponta direita e, somente por ali.

Flagrante tático. Neymar saindo da ponta esquerda e recuando para quebrar marcação.

Ao contrario da primeira partida, Danilo não forçou apoio, se portou como lateral base e acabou eliminando dobradinha com Hulk. Marcelo foi discreto no primeiro tempo, apareceu melhor na segunda etapa, sempre interagindo com Neymar.
Outro movimento para abrir espaços e quebrar marcação adversária foi à rotação de jogadores em duplas, exemplo: Oscar sai da meia central, recua, entra na zona de volantes, Sandro sai de sua posição recuada e passa para meia central. Movimentos semelhantes entre Neymar e volantes, Hulk e volantes. Logo abaixo, Neymar sai da ponta esquerda, ingressa pelo centro, pois percebe que Oscar recuou para organizar e estava começando e se movimentar para "sua" ponta esquerda.

Flagrante tático. Oscar recua para organizar e Neymar compensa ingressando pelo centro.

Dois jogadores ficaram devendo em relação aos demais. Neymar e Leandro Damião. O primeiro sucumbiu perante marcação americana, não conseguiu desvencilhar-se com marcação dupla por zona. Acredito que Neymar ficou “viciado” em marcação individual e assim mal acostumado. Não só viciado a marcação como a ponta esquerda, chega a lembrar o estagnado Ronaldinho. Exemplos e marcação dupla por zona? Velez na Libertadores e agora contra os EUA. Leandro Damião foi pouco participativo e igualmente a Neymar sumiu perante marcação adversária.

Transição defensiva é principal mudança desta seleção. A fase defensiva começa pela ofensiva. Com time postado no campo adversário, linhas próximas entre defesa-meio-ataque favoreciam a troca de passes e, encurralam o adversário quando o mesmo ganha posse de bola.
Esta pressão brasileira contava sempre com 6 a 8 jogadores pressionando e bloqueando o adversário.

Flagrante tático. Brasil logo perde posse de bola e com seis jogadores começa pressão no adversário.

Ao perder a bola a seleção não recua, mas sim, avança os jogadores para pressionar o adversário.  Logo que o adversário inicia sua transição ofensiva o Brasil já os pressionava com seus jogadores de ataque, fechando espaços e não somente quem esta com bola, mas também quem é opção para recebê-la. A marcação é agressiva e repleta de botes ao adversário – tentativas de desarmar.
Marcação no campo do adversário o induz ao erro, seja em bola rifada, passe errado, ou desarme. Esta é uma das principais armas do Brasil, tramar jogadas de ataque no campo do adversário em bola recuperadas no campo alto. Primeiro gol foi um exemplo claro desta pressão: zaga americana cercada erra passe e entrega de bandeja a Oscar, o mesmo acerta lançamento para Leandro Damião cavar o pênalti. Neymar bate e converti.
O grande perigo deste pressing é a ligação direta adversária, para isto, volantes, laterais e zagueiros precisam estar postados de maneira correta e prontos para cortar qualquer tentativa de ataque. Isto explica o porquê dos volantes Sandro e Romulo estarem recuados, pois ficam em posição estratégica para bloquear qualquer lançamento.

Vale ressaltar que na transição defensiva em posicionamento defensivo efeito, os wingers recuavam para auxiliar setor defensivo. Porém havia uma compensação, Neymar pouco auxiliava defensivamente e sobrava para Oscar recuar e ocupar o espaço do craque santista. A equipe formava uma especie de duas linhas, devido ao recuo dos wingers.

Flagrante tático. Em preto, primeira linha defensiva. Em amarelo segunda linha formada por: dois volantes; o winger Hulk e Oscar compensando o não recuo de Neymar.

Problemas defensivos. Laterais, em certos momentos, sofreram com cobertura equivocada, seja por volante ou zagueiro. Bola aérea voltou a mostrar defeitos na marcação e principalmente posicionamento do setor defensivo.

Deve-se fazer um paragrafo em especial para Oscar. O jogador do Internacional assumiu com responsabilidade a camisa DEZ. Fez tudo que se espera dele e ainda mais, pois acreditem, Oscar marcou, desarmou e armou. Se o time se tornava apático, Oscar movimentava-se para abalar as estruturas americanas. Problemas defensivos? Oscar recuava auxiliando o setor. O Brasil formou um camisa DEZ com selo de qualidade, tipico e claramente, canarinho.

Primeiro tempo foi incrível pela insanidade brasileira na marcação, logo, no segundo tempo os níveis físicos não se sustentaram, resultado da pressão exacerbada executada pelo time por completo.

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