O Brasil na Libertadores

A maior competição das Américas esta para começar, ou melhor, já começou com a "pré" Libertadores. A confiança em terra tupiniquim é imensa, cada clube se reforçou como pode. Novamente somos tratados com favoritismo, resta provar se somos merecedores desta alcunha. Santos, Inter, Flamengo, Fluminense, Vasco e Corinthians estão no páreo, que vença o melhor.

Farei um breve resumo dos times brasileiros que estão na competição.

Santos


Atual campeão da libertadores deve manter esquema e time base de 2011. O alvinegro praiano não teve grandes reforços. Com a saída de Danilo, chegou Fucile. Se espera deste Santos que não dependa tanto de Neymar quando em 2011. O time jogara para cima do rival, resta saber se saberá defender.

Muricy vem mantendo o 4-4-2 em losango com variação para o 4-2-3-1 – Elano se adianta, Neymar recua, assim se forma uma linha de três no meio com Ganso centralizado. O toque de bola e velocidade do time deve ser a arma principal. Ganso na criação, Elano auxiliando na defesa e ataque, Borges fazendo pivô – espera-se que continue a ser o goleador que é – e por final, mas não menos importante, Neymar, o craque do Santos, dispensa comentários.  Sem bola o time conta com um tripé defensivo frente a linha de quatro defensores. Um dos maiores problemas é que Ganso consiga interagir com a equipe. Ainda há desconfiança na lateral esquerda com Léo.

TIME-BASE: Rafael, Fucile, Edu Dracena, Durval e Léo; Arouca, Henrique, Elano e Ganso; Neymar e Borges.

Internacional


Com reforços pontuais o Inter entra forte na Libertadores. O time mantém base de 2011 e finalmente com meio campo definido, Dagoberto chegou para fechar a lacuna deixada por Zé Roberto. Neste incio de temporada as pernas pesaram, mas a qualidade falou mais alto quando foi necessário.

Dorival segue com 4-2-3-1 com wingers agressivos, se aproximam de Damião e abrem corredor para passagem do lateral. D’Alessandro ficou e é peça fundamental na engrenagem colorada. Entre os três meias, Oscar é mais solidário e volta para recompor. A qualidade na troca de passes é essencial para o bem andar da carruagem. Guiñazu é o motorzinho da equipe, pode fazer a primeira e segunda função do meio campo, Bolatti seu companheiro necessita mostrar futebol. Kléber é a válvula de escape do time, dobradinha com Dagoberto é essencial. Maior “problema” é a defesa, carece de reforço.

TIME-BASE: Muriel; Nei, Índio, Rodrigo Moledo e Kléber; Guiñazu, Bolatti, Oscar, D'Alessandro, Dagoberto; Leandro Damião.

Flamengo


O maior enigma entre os brasileiros. Flamengo demitiu Luxemburgo e contratou Papai Joel. Nesta Libertadores o rubro negro entra como desacreditado. Reforços cairiam bem na zaga, mas o prazo de inscrição está se passando e por final Alex Silva pode pintar no Inter. Aparentemente só Joel pode salvar o Fla de um fracasso na Liberta.

Ainda não se sabe como o time jogara e qual sistema será utilizado por Joel, mas especula-se que o 3-5-2 deve ser a bola da vez. Seu histórico utilizando este esquema é longo, se optar, Joel deve liberar os alas e se aproveitar da qualidade que possuem. Com Ronaldinho e Vagner Love ataque parece ter solução. Mas a defesa é que preocupa – Welinton, David Braz não passam confiança e Marcos Gonzalez não estreou.

TIME-BASE: Felipe; Welinton, Airton, M.Gonzalez; Léo Moura, Willians, L. Antonio, Renato, Jr. Cesar; Ronaldinho e V.Love . 

Fluminense


O time das laranjeiras promete, se reforçou bem e parece encaminhar o inédito titulo. Abel Braga já conhece o caminho das pedras, deve armar um time ofensivo e com qualidade. O maior problema é achar espaço para tantos craques, no banco sobram opções. Creio que se todos auxiliarem na defesa o Flu pode bater de frente com qualquer um.

Para escalar os melhores Abel deve optar pelo 4-2-3-1. Velocidade na saída de bola e qualidade no troca de passes será a cara do time. Deco na criação, Wagner e Thiago Neves como wingers e na frente o “matador” FRED. As laterais devem continuar sendo o ponto forte com Bruno e Carlinhos. Meio campo pode ser ainda mais ofensivo com Edinho e Deco como volantes, Thiago Neves na armação, Rafael Sóbis como winger na esquerda e Wagner na direita. Com este meio de campo estrelar, Abel deve escalar Edinho à frente da zaga, até por fazer variação para um esquema com três zagueiros.  Maior preocupação é com o goleiro Diego Cavalleri que não passa confiança.

TIME-BASE: Diego Cavalieri, Bruno, Anderson (Gum), Leandro Euzébio e Carlinhos; Edinho, Diguinho, Wagner, Deco e Thiago Neves; Fred.

Vasco


Mesmo sem muitos reforços o time da colina chega forte. Cristovão manteve e aprimorou a equipe. Vasco se tornou um time móvel, dinâmico e com muitas variações em meio às partidas. O Vasco é um dos times menos badalados entre os brasileiros, mas a maneira de jogar impressiona. Um dos pontos fortes é o entrosamento, pois cada um já sabe onde o colega irá estar.

O time varia entre 4-4-2 ortodoxo defendendo e 4-3-3 atacando, mas as variações não param por ai, ainda pode-se notar um 4-4-2 em losango e 4-2-3-1, quando com bola. Diego Souza e Eder Luís são os elos principais do ataque, deles depende a movimentação e recomposição do meio campo. O Vasco de Cristovão serve de exemplo para os demais clubes, pois abriu os olhos para o futebol moderno. A preocupação fica em torno da vitalidade de Felipe e Juninho, a pergunta que não quer calar, eles podem jogar juntos? Rodolfo e Thiago Feltri precisam provar que merecem titularidade. Vasco não pode ficar a mercê de Fágner na lateral direita.

TIME-BASE: Prass; Fágner, Dedé, Rodolfo e Feltri; Rômulo,F.Bastos, Juninho (Felipe); Eder Luís(Bernardo), Alecsandro e Diego Souza. 

Corinthians


O timão nunca conquistou a Libertadores, mas neste ano o Coringão entra forte na briga pelo titulo. Tite mantém a base do time de 2011 e ainda conta com acréscimo de Douglas no meio campo. Equilíbrio pode ser a palavra chave entre vitória e derrota, basta Tite pôr na cabeça dos jogadores que o bem do time é maior e melhor que individualidades.

Esquema utilizado pode ser uma espécie de 4-2-3-1, mas que lembra o 4-2-2-2, pois os meias Douglas e Alex devem revezar na articulação. Tite não conta com grandes reforços, muito menos estrelas - à não ser Adriano -, mas aposta no coletivo. Mesmo tendo seis homens com característica defensiva, todos terão de marcar e se “sacrificar” pelo time. A movimentação dos homens de frente será essencial, não só ofensivamente, mas também defendendo.

TIME-BASE: Júlio César, Alessandro, Chicão, Leandro Castán e Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Alex e Danilo (Douglas) (Jorge Henrique); Emerson e Liédson.

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Análise tática – Santos x Palmeiras, virada no final

Clássico paulista teve inicio decadente e final surpreendente. Se esperava muito do atual campeão da Libertadores contra o Palmeiras de Felipão que ainda não contava com seus principais reforços. Em dia de Neymar, o atacante completou 20 anos, o Palmeiras por sua vez não deixou o santista apagar as velinhas. Vitoria com uma virada de tirar o fôlego, fazendo 2 a 1.

Muricy não abre mão de seu 4-4-2 em losango vencedor. Do meio para frente é um time empolgante, já a defesa deixa a desejar. O time ainda carece não tem ritmo de jogo, as pernas pesam. O desgaste é evidente em campo, tempo é a solução.

Palmeiras de Felipão é defensivo e previsível. Parece que Scolari vai morrer abraçado com seu 4-2-3-1, porém desta vez ainda mais preocupado com Neymar. Com principal jogada sendo bola aérea, o time pouco tocou a bola e dependeu de individualidades.


Santos atacava preferencialmente pelo lado esquerdo com Pará que aprofundava procurando a linha de fundo e Neymar abrindo corredor e com infiltrações ao centro. Ganso flutuava para esquerda e direita em direção a bola. “Tripé de volantes” com Henrique no primeiro vértice, Elano na direita e Arouca na esquerda davam sustentação ao time. Ganso no vértice ofensivo do losango. Lado direito careceu de maior qualidade e ritmo, pois Elano sentiu o jogo e Maranhão demorou para entrar na partida. No ataque Neymar sofreu com marcação individual de Cicinho e Borges pareceu estar em outro jogo, outro sistema solar, enfim, longe da partida.

Transição do Santos era com bola no chão, mas principais ataques se dava em contra-ataques visando Neymar na esquerda. Equipe de Muricy procurava mais o jogo, girava a bola ate encontrar espaço, com calma e priorizando a posse. O maio problema era que as jogadas se tornavam previsíveis com Ganso se aproximando de Neymar, mas uma barreira verde não deixava passar nada.

Transição defensiva era rápida e bem feita. Ao perder a bola o tripé do meio campo se recompunha e ficava a frente dos zagueiros, marcação dupla nos wingers e Henrique colado em Valdivia.

Palmeiras entrou em campo para empatar, especular um contra-ataque e bola aérea se tornou os trunfos do verdão. Cicinho marcou Neymar individualmente, fechou os espaços do aniversariante, por vezes procurou o apoio, mas deixou as suas costas uma boa oportunidade do Santos contra-atacar. Juninho foi mais discreto, explica-se pelo jogo ser centralizado e não pelos flancos. Marcio Araujo tinha incumbência de ser lateral quando Cicinho apóia-se. Marcos Assunção era quem dava qualidade a saída de bola, mas se perdeu e por vezes acelerava quando era necessário cadenciar e cadenciava quando era necessário acelerar. João Vitor foi a campo para ser um winger pela direita que sem bola fechava o corredor mais forte do Santos, com bola não chegava à linha de fundo, tão pouco infiltrava. Valdivia ficou sobrecarregado no meio campo, dependia dele marcação, organização e lançamentos. Luan assim como João Vitor teve de fechar seu corredor e ainda atacar, conseguiu, mas sua jogada ficou manjada e facilmente neutralizada. Fernandão foi apático na primeira etapa, não teve companhia e sofreu a marcação dos zagueiros.

Palmeiras enganava com bola, pois tinha muita posse de bola defensiva. Marcos Assunção rodava a bola pelas laterais procurando uma saída, mas encontrava Valdivia ao centro que tinha de resolver sozinho. Ataques do Palmeiras resultavam em jogadas individuais de Valdivia e Luan. Com Cicinho mais preso a Neymar, um dos trunfos foi perdido. Com laterais mais presos quem aparecia à frente eram os volantes. Bolas de perigo eram na ligação direta procurando os flancos para alçaram bola na área.

Defensivamente o Palmeiras não teve problemas. Felipão abdicou de atacar. Ao perder a bola o time verde já estava posicionado na defensiva, pois chegava à frente com no máximo três ou quatro homens.

Para piorar situação, Valdivia sentiu lesão e deu lugar a Daniel Carvalho.

Segundo Tempo

Para deixar o Peixe mais ofensivo, o técnico Muricy Ramalho colocou em campo Alan Kardec no posto de Borges, apagado e ainda sem ritmo de jogo. Porém foi o Palmeiras que cresceu no jogo. Finalmente Juninho se desprendeu da linha defensiva e foi ao apoio e auxiliou no ataques. Daniel Carvalho foi prestativo e circulava procurando a bola.

O Santos melhorou, mas pouco em relação a ser merecedor da vitoria. Elano continuava apagado em campo, não demonstrou nada em campo e acabou sendo substituído aos 16 minutos, no seu lugar entrou Ibson.


Os times continuavam a se anular em campo. Inicio de temporada, muita marcação, a cabeça pensa, mas o corpo não executa. Sem bola o posicionamento defensivo de ambos era de time atrás da linha do meio campo, fechado espaços e roçando saída de bola com zagueiros.

Santos com bola demonstrou ter mais audácia. Adiantou sua linha de zagueiros a empurrava o Palmeiras para seu campo. Volantes jogavam adiantados servindo como opção de passe e pegando o rebote ofensivo. Ibson deu sobrevida ao lado direito de ataque, mas Maranhão não era das melhores opções.

Palmeiras insistia nos contra-ataques puxados por Luan no flanco esquerdo. Sem criatividade os passes eram longos, típica ligação direta inglesa.

O feitiço virou contra o feiticeiro. O aniversariante Neymar recebeu um doce do amigo Paulo Henrique Ganso com um passe na medida em uma cobrança de falta. Bem posicionado, aos 24 minutos, Neymar não perdoou.

Com o gol Felipão mexeu na equipe. O extenuado Luan deu lugar a Maikon Leite e mais tardar Ricardo Bueno entrou no lugar de Cicinho. Era o 4-3-3 em campo armado por Scolari. Maikon Leite aberto na direita e Ricardo Bueno na esquerda. A instrução era de jogar pelos flancos e insistir na velocidade.


De tanto pressionar, o Palmeiras conseguiu provocar a expulsão de Ibson. A partir daí, o Verdão foi com tudo. E conseguiu uma virada com intervalo de dois minutos entre os gols.

Aos 43, Assunção, em cobrança de escanteio, colocou a bola na cabeça de Fernandão para empatar. Primeiro gol é um resumo da fase que vive o Palmeiras, esta dependente da bola aerea. Aos 45, o improvável: Juninho arriscou um chute despretensioso da lateral esquerda, e Maranhão tentou cortar, mas acabou desviando para a rede.

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Análise tática – GRENAL, expresso arranca empate

Clássico é clássico e vice versa, já diria nosso saudoso Jardel. Este não era um dos GRENAIS mais esperados do ano ou que valiam algo, muito pelo contrario. O Inter entrou com o que se pode dizer expresso – time reserva. Quem “perdeu” neste jogo foi o tricolor, pois jogou contra o rival com time reserva. O Grêmio viveu um paradigma. Caso vencesse não seria mais do que sua obrigação. Se perdesse era o fim do mundo, com o empate fica a desconfiança de que Caio consiga classificar o tricolor.

GRENAL dos Juniors. Por parte tricolor, Caio, mudou o esquema. Dorival não manteve esquema base do time principal.

Resultado foi justo. Grêmio superior no primeiro tempo teve chances para decidir o jogo, ma não às fez. Inter melhorou no segundo tempo, equilibrou a partida e conseguiu encaixar marcação sobre o Grêmio.

Caio Junior novamente mudou desta vez o 4-4-2 em losango foi o utilizado. Esquema ofensivo com dois meias nas laterais do losango. Dorival também optou pelo 4-4-2 em losango, as engrenagens demoraram a entrar no ritmo do jogo, após alguns ajustes o time se encontrou.

Os losangos espelhados se bateram de frente. Fernando x João Paulo; Josimar x Leandro; Sandro Silva x Marquinhos; e Marco Antonio x Dátolo. Losango tricolor foi mais ofensivo e comparado com o pioneiro losango italiano. Já o Inter apostou em um losango com variação ao 4-3-1-2.


Com posse de bola o Grêmio a preservava e optava por girá-la em campo ate encontrar espaço para atacar, passes curtos e inversões de jogo. Marquinhos era quem organizava os movimentos ofensivos e a transição tricolor, recuava e situava-se ao lado de Fernando. Lembrou Rochemback com Renato, era organizador mais recuado.  Marco Antônio ficava mais liberado a avançava pelo corredor direito de meio campo. Leandro “tentava” ser ponta-de-lança – vértice mais adiantado do losango - ,mas não conseguiu ser nada em campo, procurava os flancos e não articulou.

Preferencialmente jogando pelo lado esquerdo com Julio Cesar e auxilio e Kleber que recuava. Mario Fernandes basculava empurrando zagueiros para Naldo fazer cobertura. Sempre que um lateral apoiava o outro guardava posição.

Zagueiros de Grêmio e Inter eram quem cobriam os laterais. Grêmio melhor atacando com quatro ou cinco à frente e volantes adiantando linha para pegar rebote e não deixar buracos. Inter atacando com cautela para não dar chance ao contra-ataque.

Inter em campo estava perdido. Não possuía articulador, tão pouca organização. Troca de passes era na ligação direta para homens de frente. Tudo dificultava ainda mais com o Grêmio forçar a saída com os defensores – Elton, Boliar, Jackson e Fabrício. Bola chegava a Datolo, João Paulo, Gilberto e Jô tendo que decidirem na individualidade. Cruzamentos era constantes, perante a fama da zaga tricolor vazar. A falta de tabelas entre meio campo e ataque, triangulação e passagem dos homens de trás tornou o Inter previsível e facilmente bloqueado.

Curiosamente o Inter preferiu atacar com Elton – improvisado na direita – do que com Fabrício. Talvez se explique por Gilberto procurar muito o flanco direito. Quando atacou no lado esquerdo com Fabrício e Datolo, o colorado levou perigo ao gol tricolor. Os ataques eram com cautela e sempre se prevenindo de futuros ataques.

Transição ofensiva tricolor era com Kleber recuando e se alinhando a Leandro – esquema 4-3-2-1 – para quebrar marcação, Marco Antonio avançava e Marquinhos se alinhava a Fernando. Por falta de opções de passe a ligação direta para Marcelo Moreno era uma opção.

Gol do Inter de Datolo aos 21 minutos. Bola chutada na entrada da área desviou em dois jogadores e tirando as chances de Victor. Lembrando que só faz gol quem chuta.

No Grêmio, Julio Cesar sentiu lesão e deu lugar a Bruno Collaço, lado esquerdo perdeu qualidade e freou os ataques com bola no chão e começando aos lançamentos longos a Marcelo Moreno.

O tricolor chegou ao empate sete minutos após com Marquinhos em cobrança de falta. Aos 31 Marcelo Moreno virou o jogo em cobrança de pênalti.

Aos 44 minutos Mario Fernandes sentiu o ombro e teve de sair, Gabriel entrou.

Segundo tempo


Surpresa! Dorival foi expulso ao voltar para casa-mata. Os times continuaram os mesmos para a segunda etapa, mas com atitudes completamente diferentes. O Inter soube se colocar melhor em campo, e ajustar marcação no tricolor. O Grêmio por sua vez piorou em campo, o cansaço e as suscetíveis tentativas de ligações diretas atrapalharam as pretensões tricolores.

Movimentação colorada surpreendeu neste segundo tempo. Datolo, João Paulo e Gilberto – flutuando pelos flancos do ataque – assumiram a partida e colocavam a bola no chão. Datolo enquanto esteve em campo tentou organizar e centralizar as jogadas.

Para equilibrar a partida, Caio Jr. mudou seu esquema. Abdicou do 4-4-2 losango “torto” – pois Leandro não ficava ao centro, muito menos organizava – para o 4-3-3. Assim Leandro e Kléber ficavam alinhados, jogando pelos flancos e se aproximando a Marcelo Moreno. Sistema este que anulou o lado esquerdo colorado, passou a se preocupar em marcar.

O ponto forte do Grêmio nas ultimas partidas ficou prejudicado com as saídas de Mario e Julio Cesar. Collaço e Gabriel não deram resposta imediata. Caio Junior ficou de mãos atadas tendo apenas uma substituição para o segundo tempo.

O Inter mudou aos 22 minutos com Fred, Fransergio e Mike no lugar de Gilberto, Datolo e João Paulo extenuados. Esquema que com Datolo já se parecia com 4-2-3-1 agora tomou forma. Fransergio centralizou, Fred abriu no flanco.

Mudanças surtiram efeito. O Inter acelerou o jogo com time mais leve nos flancos. Aos 30 minutos em cobrança de escanteio, Bolivar empatou a partida. Novamente a bola aérea defensiva tricolor “vazando”.

Caio mudou fortalecendo o sistema defensivo. Colocou Gilberto Silva no lugar do extenuado Marquinhos. Com mudança, Fernando foi adiantado para direita jogando ao lado de Marco Antonio.

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O dilema em marcar, cercar e ocupar espaço

No cenário mundial do futebol a força física vem impressionando a todos. A importância de times bem montados taticamente decide jogos. O futebol nos dias de hoje exige que os jogadores joguem pela equipe, não para si. Deve se ressaltar que para jogar o bom futebol é preciso ter as características na sua essência, ou seja, a técnica deve prevalecer aliada com uma boa formação.

Este ultimo mundial de clubes entre Barcelona e Santos foi de encher os olhos.Chamou atenção pela humildade do craque Messi, marcava e flutuava em campo. Por outro lado Paulo Henrique Ganso se abstinha a jogar com a bola no pé – com a redonda nos pés é genial.

Não restam duvidas que o futebol evoluiu, e como toda evolução somos obrigados a nos adequar a ela.  No entanto parece que alguns jogadores pararam no tempo, jogam apenas com a bola nos pés. Marcar? Para que? Sou de outro nível, não preciso, há quem faça este serviço “sujo”.

Esta introdução serviu para lhes mostrar que toda evolução tem seus lados bons e ruins, devemos filtrar o melhor e aplicar.

“Todos atacam e todos defendem” este é o discurso dos treinadores. Se até Messi marca porque nossos craques não podem? A resposta é simples, categorias de base. Não adianta formar um jogador com mentalidade ofensiva que nunca marcou ou cercou durante anos, e querer que ele se torne um exímio marcador ao subir para os profissionais.

Existem três palavrinhas mágicas no futebol de hoje. Marcar, cercar e ocupar espaço. Vou especificá-las uma a uma.

Marcar: Tarefa que se restringe aos defensores – conceito antiquado. Trata-se de encurtar a distancia em relação do adversário e no momento certo dar o bote. Pode-se marcar homem a homem ou por zona.

Cercar: Normalmente é o que se espera dos jogadores com menor capacidade de marcação. Não se aproxima do adversário, se mantém uma distancia. Diminui o raio de jogadas do oponente.  O jogador que cerca geralmente não tem boa capacidade de desarme e quando tenta comete a falta.

Ocupar espaços: Seria a instrução a meias e atacantes. Não precisa marcar nem cercar, mas que apenas volte para não deixar buracos no campo – outro conceito antiquado.

Eram três? Pois então, ainda há o bola no pé.

Bola no pé: Não marca, cerca ou ocupa espaço. Joga apenas com a bola no pé, sua movimentação se restringe quando esta com a esférica. Seu raio de ação é curto. Esta é uma função, posição em extinção. Na há lugares em campo para este tipo de jogador. A compensação por sua presença no campo é dada por um “perna de pau”.

Estes três conceitos são estipulados por setores em campo. Defensores marcam, volantes auxiliam na marcação. Meias e atacantes no máximo cercam, o que se espera é ocupação de espaços.
Devemos aprender que um time deve jogar em conjunto, todos com capacidade de marcar e atacar. Estipular jogadores com função especifica esta se tornando arcaico, obsoleto e retrógrado. É claro que deve se respeitar que zagueiros e volantes marcam, mas não significa que devem ser quebradores de bola e cabeças de bagre.

Neste inicio de temporada vejo treinadores tentando aplicar esta idéia, mas sem jogadores que saibam filtrá-las e as por em pratica se torna impossível, uma utopia.

Escalar um marcador para que um gênio que apenas jogue. Ou que craque não marca, pois assim ele cansa e fica sem pernas para armar, está e deve ficar na historia do futebol.

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Análise tática – Grêmio vence, mas não convence

Partida nesta quinta-feira não foi digna para torcedores presentes no estádio Olímpico. Jogo lento em que o São Luiz de Ijuí apenas defendeu, o empate era dado como vitória. Tricolor conquistou três pontos sem sinais de evolução, aliás, aparentemente o time vem sem mantendo ou decaindo. Placar mínimo garantiu os três pontos para o Grêmio, em bela jogada Kléber guardou.

Antes de qualquer coisa devo esclarecer que Caio Junior ainda está à procura do time ideal. Atitude normal para um recém chegado e com novas idéias. Nas existe data para a “estréia”, mas Paulo Paixão declarou que a equipe entra nos eixos a partir do dia 18 de fevereiro. Enfatizo em dizer que gaúchão é laboratório para definir o time base para o restante do ano.

Caio Jr. voltou ao 4-4-2 em duas linhas, esquema não habitual ao futebol brasileiro, pois os meias jogaram abertos. Marquinhos improvisado como volante tentava dar melhor saída e bola e pegar o rebote ofensivo para finalizar e passar. Este esquema descentraliza a organização e criação da partida, o jogo fica a mercê dos jogadores de flanco.

Não se pode dizer que mudanças foram notáveis, pois o sistema defensivo foi pouco exigido.

Transição defensiva ficou clara para que homens da frente logo que percam a posse de bola marcavam a saída de bola, dificultando o passe adversário. Devido a pouca exigência do adversário não se pode notar os famosos “buracos” entre as linhas. Dois meias abertos nos flancos tinham como instrução fechar espaços dos laterais. Um dos zagueiros cobria o lateral apoiador e os volantes fechavam o centro.

Posicionamento defensivo era com primeira linha de quatro recuada, contando com os dois volantes a sua frente. Marco Antonio era o meia com maior prestação a marcação, recuava se alinhando aos volantes  e fechando o lado direito de defesa.

Maior problema da equipe foi à transição ofensiva. Sem criatividade, tão pouco organização ofensiva, o tricolor se tornou um time previsível. Os passes sempre procuravam os atacantes, mas sem profundidade, eram eles que tinham de definir a melhor jogada. Transição não era lenta, mas deixava a desejar. Leandro era muita correria, sem criatividade e Marco Antonio apagado.

Com a posse de bola e já no posicionamento ofensivo o Grêmio adiantava suas linhas, zagueiros ficavam perto do meio campo. Volantes desta vez não se adiantaram, cumpriram função defensiva, mas com Marquinhos mais adiantado em relação a Fernando. Kléber recuava para o meio campo, por vezes o esquema parecia um 4-2-3-1 ao estilo Caio Botafogo 2011 – é normal Caio utilizar um meia que não possui características de armação no centro, no Fogão, era Elkeson. Laterais apoiando alternadamente. Meias sem infiltração, chutes esporádicos e não se aproveitando dos momentos do jogo. Leandro procurava o drible e a linha de fundo. Marco Antônio se posicionava mais ao centro, tentava articular. Quando era necessário acelerar o time cadenciava, quando tinha de cadenciar, acelerava. Principal jogada ofensiva foi com Kléber e Marcelo Moreno. Era simples, bola neles que resolvem com chutes de fora da área, tabelas e assim foi – Moreno lançou Kléber de calcanhar, este que marcou o gol com pé esquerdo, deslocando o goleiro.

Lado esquerdo era mais vulnerável com Marquinhos, Leandro e Julio Cesar. Por vezes Fernando flutuava na marcação para auxiliar em ambos os lados. Para resolver esta carência – e possivelmente confundir marcação – Caio inverteu, Leandro na direita, Marco Antônio na esquerda.

Grêmio mereceu vencer, mas o ritmo lento não agradou a ninguém. Parece que uma placa com limite de velocidade foi instalada no Olímpico, velocidade máxima 50 km/h. Caio Jr. precisa de tempo para demonstrar seu trabalho, aliás, merece este tempo.

Caio Junior volta ao 4-4-2 em duas linhas

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Análise tática – Once Caldas x Internacional, empate com gosto de vitória.

Comunico a todos que o Internacional de Porto Alegre esta na fase de grupos da Libertadores. O time de Dorival Jr. Passou pelo Once Caldas, com méritos, não diria sobras, mas merecia vencer os colombianos. A partida teve todos os temperos de uma Libertadores, desde a esperada altitude a lances polêmicos no inicio da partida.

Dorival Junior armou a equipe sem Dagoberto, que sentiu e foi poupado. Nei era outra duvida, mas foi no sacrifício para o jogo. Com entrada de Tinga no meio o esquema se manteve no 4-2-3-1. A ousadia de Dorival independe de onde o time joga se mantém.

Once Caldas foi um time agressivo, jogou no 4-2-3-1 com velocidade e sempre apostando na bola aérea – apesar de não ser seu forte. Jogando em casa o time naturalmente se impôs ao Inter. Surpreendido com um pênalti ao seu favor no inicio do jogo o time não soube se aproveitar da momentânea vantagem.


Curiosamente o lance do primeiro gol colombiano veio em bola aérea – que insisto em dizer, não é o ponto forte da equipe. Pênalti discutível, gol convertido por Nuñes. Após cometer o pênalti, Nei ficou receoso ao disputar uma bola, prejudicando no segundo gol colombiano.

Once caldas que marcava a saída de bola colorada, mas deixava buracos entre as linhas de ataque-meio-defesa, sempre bem explorados pelo ataque colorado. A compactação e linhas adiantadas não eram bem executadas graças a uma dupla de zagueiros: Acosta e Amaya, perdidos em campo. Em um destes lançamentos que saiu o pênalti em favor do Inter. Oscar derrubado na área, D’Ale guardou e tudo igual no placar.

Oscar e Tinga aproximavam de Damião e ainda fechavam os flancos para impedir o apoio dos laterais. Tinga anulou o lateral Ramos que pouco fez no primeiro tempo. Ofensivamente o Inter pouco atuou com posse de bola e troca de passes devido à marcação adversária, mas obteve sucesso no contra-ataque e passes as costas dos defensores.

Indio e Moledo foram os dois zagueiros, Indio fez boa partida, não aparenta idade avançada. Moledo era o zagueiro da sobra. Nei o lateral que se mantinha mais preso a marcação, pois Cassierra e Del Valle apoiavam e o atordoavam. Kleber solto deu qualidade ao meio campo quando apoiou. 

A dupla de volantes tinha Guiñazu em noite inspirada marcando como "el perro loco", Bolatti não foi genial, mas cumpriu sua função, ambos procuraram o apoio alternadamente. Trio de meio campo foi essencial para partida. Tinga cumpriu função de Dagoberto, mas com suas características. D'Alessandro foi capitão e maestro da sua sinfonia, atuou ao centro flutuando e procurando os demais meias. Oscar foi incisivo quando precisava, e solicito na marcação. 

Damião não estava em noite inspirada, mas precisa estar em campo para ser homem da referencia e causar penico nos adversários.

Substituição inesperada no Once. Saiu Alvarez entrou Del Valle. Time ainda mais incisivo e com maior poder ofensivo.

Após substituição Del Valle e Pajoy passaram a ser os wingers. Nuñes passou a ser meia central. Na referencia Beltran. Os cruzamentos sempre inofensivos se explicam pelo fato de wingers na entrarem na área e Beltran ser facilmente marcado por Indio e Moledo, ou lateral que bascula.

Del Valle e Pajoy infiltravam procurando o centro para tabelas com os meias oriundos de trás e abriam corredor para os laterais – preferencialmente com Cassierra. Quando atacava as passagens e aproximações eram constantes com Gonzales que vinha de trás e se somava a Nuñes. No setor defensivo, Rivas era quem aprofundava entre os zagueiros que contava ainda com um lateral.


A transição era sempre com Cassierra na lateral esquerda ou Gonzalés, que aceleravam o jogo para os wingers. O bom toque de bola se transformava em cruzamentos mal sucedidos.

Quando atacado e em posicionamento defensivo Pajoy era quem ficava mais próxima a Beltran para puxar os contra-ataques, enquanto Nuñes e Del Valle eram mais solidários a marcação e auxiliavam na recomposição do meio campo. Lateral que guardava posição basculava no sentido que o time era atacado para ser homem da sobra.

Após alguns sustos o Inter melhorou na partida e apostou no toque refinado. Bela jogada tramada entre Oscar e D’Alessandro, resultou em gol do improvisado Tinga. A exemplo do Once, Inter não conseguiu se manter em vantagem na partida e logo cedeu o empate.

Em troca de passes dos meias do Once, Gonzales foi quem empatou a partida. Em rápida resposta o Inter cresceu na partida e só na guardou com Oscar por um triz. A partida se mantinha equilibrada e ele, novamente Oscar, perdeu chance de frente para o crime.

Ofensivamente o Inter se posicionava com os quatro homens de frente, um lateral que não procurava a linha de fundo e surpreendentemente Guiñazu, o argentino chegou a arriscar um chute de longa distancia, mas o goleiro Martinez defendeu. Era um revezamento no apoio, ora Guina, ora Bolatti. Guardando posição ficava um dos volantes e laterais para se somar aos zagueiros.

Transição colorado era sempre nos pés de D’Alessandro, este que organizava e regia os movimentos ofensivos. Aproximação com Tinga era habitual e sempre envolvente. Oscar acelerava o jogo e procurava vitoria pessoal contra seu marcador.

O Once Caldas atacava sempre buscando jogadas em velocidade, e chutes de longa e media distancia. Preferencialmente jogando pela esquerda de ataque para explorar Nei que já tinha cartão amarelo. Com pouco sucesso este foi uma arma não adotada no segundo tempo.

Segundo Tempo


O Inter voltou para o segundo tempo apostando na posse de bola para frear o time colombiano. Já o Once, marcava alta e liberou os dois laterais para apoio. Posicionamento defensivo era um 4-1-4-1 pouco interessado na marcação com apenas os quatro defensores e Rivas a sua frente.

Transição se dava com laterais que logo aceleravam o jogo procurando wingers. O esquema se tornava quase um 4-3-3 em certos momentos, pois a passagem dos laterais “empurrava” os wingers área adentro.

Substiuição. Saiu Beltran, entrou Reinoso. Esquema se manteve. Logo após saiu Cassierra para entrada de Cuero.

No Inter o cansaço chegava e não tinha como manter o mesmo time. Com intuito de parar e segurar os colombianos, Dorival, pôs em campo Elton no lugar do exausto Tinga. Esquema passou a ser o 4-3-2-1 – arvore de natal – com Elton ao centro, Guiñazu a esquerda e Bolatti mais solto na direita. Quando Inter atacava, Guiñazu e Bolatti faziam cobertura dos laterais.

Ficou ainda mais nítido que a principal arma colorada era o contra-ataque, apostando no nervosismo do adversário. Com no mínimo cinco chances em contragolpes, o Inter só não saiu com vitoria por não acerar o alvo. Oscar, Damião e D’Alessandro perderam gols que naturalmente não perder e não podem perder em Libertadores. Mais tardar Dagoberto perdeu lance incrível.

Desorganizado e também cansado o Once se perdeu em campo. A organização de seus ataques não existiam, os buracos para contra-ataques se tornavam ainda maiores e os cruzamentos – leia-se balões para área – não encontravam ninguém.

O Inter mostrou saber jogar a Libertadores. Quando precisou rifar a bola, a fez, cadenciou com os três meias e ainda empilhou chances com seus homens de frente.

No fim a festa foi colorada

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Falta personalidade ao Grêmio?


O Grêmio nos últimos anos vive um conflito de personalidade. Uns querem time aguerrido ao estilo que marcou o Grêmio, raça a cima de tudo, taça no armário e calção sujo. Outros acham que o futebol mudou, que toque de bola e jogadores mais técnicos é que fazem a diferença, usam como parâmetro o Barcelona de Lionel Messi e Pep Guardiola.

Este paradigma passa pela direção, pois define o estilo da equipe ao contratar, manda e desmanda. Comissão técnica, é quem ira dar uma “cara” ao time, sobrevive de resultados.  Jogadores, estes que irão demonstrar o resultado final em campo, depende deles a continuidade de trabalho entre direção, comissão e a si próprios. Por final a torcida, se espera dela estádio lotado e paixão, porém cobrança é habitual.

Torcida que critica e não sabe o que quer. Para alguns – ou muitos - foi um desperdício perder Borges e idolatrar Sangro Goiano. Malham o presidente por perder Jonas e assim um ano inteiro jogado as traças. A bola da vez é Douglas, o crucificam por falta de futebol, será que ele carregara o piano “solito”?  Ainda lembram que o ultimo suspiro foi com um time limitado, mas que tinha vontade.

Afinal de contas, qual é a identidade tricolor, ou tudo isso já é desespero?

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